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Edição 97 - Abril/2006
 
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  VIXE MAINHA
Com vinte anos de carreira e depois de emplacar sucessos da música baiana como Requebra e Música de rua na voz de outros cantores, JAUAPERI e PIERRE ganham seu espaço como donos da música mais tocada do Carnaval de 2006

POR CAROL FREDERICO

FOTO: DIVULGAÇÃO
Jauaperi (à esq.) e Pierre Onássis, do Vixe Mainha: mudança de nome em pleno Carnaval

Há males que vêm para o bem. O ditado popular é particularmente verdadeiro para a dupla Jauaperi e Pierre Onássis, da banda Vixe Mainha. Até o Carnaval, ela se chamava Afrodisíaco, mas teve de mudar de nome por força da lei, uma vez que outro grupo já tinha registrado o mesmo nome. A mudança, que poderia ser um transtorno para uma banda ainda tão jovem - com menos de um ano de existência -, trouxe consigo outra reviravolta: a saída do anonimato. Tanto que o que era apenas o refrão da música Café com pão, de Davi Moraes - a mais executada nas rádios de Salvador desde dezembro e considerada a preferida do público - acabou se tornando nome do grupo.

Mas como o sucesso não acontece por acaso, o êxito dos dois tem uma explicação. Embora a fama seja recente, eles já têm mais de vinte anos de estrada, sendo que nove deles foram só no Olodum, onde se conheceram. Desde então, ambos vêm sedimentando suas carreiras como compositores, emplacando grandes sucessos da música baiana, só que na voz de outros artistas e grupos como Daniela Mercury, Netinho, Cheiro de Amor, Timbalada, Araketu, Olodum e Davi Moraes e outros. Entre as músicas de autoria da dupla - algumas feitas pelos dois em parceria, outras sozinhas ou em co-autoria - constam Vai sacudir, vai abalar, Cara caramba, Música de rua (Alegria agora / Agora e amanhã / Alegria agora e depois / E depois e depois de amanhã) e Requebra (Requebra, requebra / Requebra assim / Pode falar / Pode rir de mim).

A NOVA MÚSICA BAIANA

O impulso para montar a dupla veio por acaso, após uma participação dos amigos num show do Olodum. "A idéia era fazer algo mais percussivo, que resgatasse a cultura afro-pop tocada na Bahia", explica Jau. Pierre arrisca-se até a dizer que se trata de uma nova música baiana. "As pessoas estão abrindo mais a cabeça e a emoções para outros estilos musicais, e o Vixe Mainha tem um toque diferente, que mistura violino e percussão", explica.

Do sucesso meteórico e do reconhecimento quase que instantâneo, Jau e Pierre não têm medo. "Não acho que estamos fazendo sucesso agora, mas que nesse momento a mídia está abrindo as portas para nós. Se continuarmos nas paradas por cinco, dez, quinze anos, como um Gilberto Gil, por exemplo, poderemos dizer que estamos fazendo sucesso. Como compositores já percorremos um longo caminho, mas como artistas, ainda temos muito o que aprender", diz Jau.

"A IDÉIA ERA FAZER ALGO MAIS PERCUSSIVO, QUE RESGATASSE A CULTURA AFRO-POP TOCADA NA BAHIA"

JAUAPERI

 

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