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| Jauaperi (à esq.) e Pierre Onássis, do Vixe Mainha: mudança de nome
em pleno Carnaval |
Há males que vêm para o bem. O ditado popular é particularmente verdadeiro
para a dupla Jauaperi e Pierre Onássis, da banda Vixe Mainha. Até o Carnaval,
ela se chamava Afrodisíaco, mas teve de mudar de nome por força da lei,
uma vez que outro grupo já tinha registrado o mesmo nome. A mudança, que
poderia ser um transtorno para uma banda ainda tão jovem - com menos de
um ano de existência -, trouxe consigo outra reviravolta: a saída do anonimato.
Tanto que o que era apenas o refrão da música Café com pão, de
Davi Moraes - a mais executada nas rádios de Salvador desde dezembro e
considerada a preferida do público - acabou se tornando nome do grupo.
Mas como o sucesso não acontece por acaso, o êxito dos dois tem uma explicação.
Embora a fama seja recente, eles já têm mais de vinte anos de estrada,
sendo que nove deles foram só no Olodum, onde se conheceram. Desde então,
ambos vêm sedimentando suas carreiras como compositores, emplacando grandes
sucessos da música baiana, só que na voz de outros artistas e grupos como
Daniela Mercury, Netinho, Cheiro de Amor, Timbalada, Araketu, Olodum e
Davi Moraes e outros. Entre as músicas de autoria da dupla - algumas feitas
pelos dois em parceria, outras sozinhas ou em co-autoria - constam Vai
sacudir, vai abalar, Cara caramba, Música de rua
(Alegria agora / Agora e amanhã / Alegria agora e depois / E depois e
depois de amanhã) e Requebra (Requebra, requebra / Requebra assim
/ Pode falar / Pode rir de mim).
A NOVA MÚSICA BAIANA
O impulso para montar a dupla veio por acaso, após uma participação dos
amigos num show do Olodum. "A idéia era fazer algo mais percussivo, que
resgatasse a cultura afro-pop tocada na Bahia", explica Jau. Pierre arrisca-se
até a dizer que se trata de uma nova música baiana. "As pessoas estão
abrindo mais a cabeça e a emoções para outros estilos musicais, e o Vixe
Mainha tem um toque diferente, que mistura violino e percussão", explica.
Do sucesso meteórico e do reconhecimento quase que instantâneo, Jau e
Pierre não têm medo. "Não acho que estamos fazendo sucesso agora, mas
que nesse momento a mídia está abrindo as portas para nós. Se continuarmos
nas paradas por cinco, dez, quinze anos, como um Gilberto Gil, por exemplo,
poderemos dizer que estamos fazendo sucesso. Como compositores já percorremos
um longo caminho, mas como artistas, ainda temos muito o que aprender",
diz Jau.
"A
IDÉIA ERA FAZER ALGO MAIS PERCUSSIVO, QUE RESGATASSE A CULTURA
AFRO-POP TOCADA NA BAHIA"
JAUAPERI
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