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  A IGUALDADE NA DIFERENÇA
O novo conceito é: somos todos diferentes, com direitos iguais. Diversidade racial nas empresas aumenta a criatividade e traz novas soluções

OSWALDO FAUSTINO

FOTO: MASTERFILEOs anúncios de empregos publicados em jornais mudaram nos últimos anos. Não exigem mais "boa aparência". Na verdade são proibidos de fazê-lo, pois esse comportamento tornou-se ilegal e resulta em multa e até detenção dos responsáveis. Todos sabemos o que queria dizer a tal "boa aparência". Ela nada tinha a ver com qualidade profissional, talento, postura, higiene, forma de vestirse ou de comportar-se.

A expressão trazia, em seu bojo, forte carga de preconceito e equivalia a dizer que o candidato ou candidata deveria ser, em resumo, uma pessoa branca, heterossexual e sem deficiências físicas. Ninguém ignora que o preconceito histórico sempre excluiu mulheres, negros, indígenas, homossexuais, deficientes físicos, idosos, enfim, todos os que fogem a um determinado padrão. Declarar isso, abertamente, era comprometedor, então se inventou o mito da "boa aparência". Quem não preenchesse as características sempre teria dificuldades para a contratação. E, se fosse contratado, deparava-se com milhares de obstáculos para obter ascensão profissional.

Políticas internas excluíam esses profissionais de posições de comando, pois poderiam comprometer a imagem da empresa e afastar negócios. Cada vez mais isso faz parte do passado. Em velocidade mais lenta do que se deseja, mas faz. Eliane Cavalleiro, coordenadorageral de Diversidade e Inclusão Educacional, da Secad - Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, do MEC, afirma que: "É fundamental que os especialistas negros/as estejam representados nos mais variados cargos das empresas, inclusive nos cargos de direção e de chefia".

Essa necessidade tem levado grandes corporações no mundo todo a rejeitarem a idéia de homogeneidade e a pregarem a diversidade em busca de soluções mais efetivas e criativas até gerar novos negócios. As políticas de respeito à diversidade garantem que o talento não seja excluído só por ser diferente. Mais que isso, se amparam nas diferenças para universalizar seus produtos e serviços. Afinal, o mercado não é formado por pessoas com as mesmas características, mas desiguais entre si.

ESTAR EM UM AMBIENTE EM QUE A VALORIZAÇÃO DE CADA UM SE FAZ PRESENTE AMPLIA A CAPACIDADE E A POTENCIALIDADE REALIZADORA

O Ceert - Centro de Estudos de Relações do Trabalho e Desigualdade é uma instituição que oferece às empresas mecanismos para aplicar a política de diversidade, também chamada de inclusão ou de integração. A diretora, Maria Aparecida Bento, doutora em Psicologia Social, pela USP, Universidade de São Paulo, explica: "As empresas devem se preocupar com os lucros, sim, mas também têm uma função social".

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