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  Racismo até quando?

Por Roberto Shinyashiki

Roberto Shinyashiki é escritor, conferencista e presidente do Instituto Gente, Centro de Desenvolvimento Humano e Organizacional
No DVD Pelé Eterno, em partida entre o Santos e o Boca Junior, o estádio do La Bombonera inteiro gritava primeiro um palavrão e depois "Macaquitos del Brasil". Na Europa, cenas raciais ressurgem. O fascismo é levado ao campo por torcedores italianos, e até gente da família real vai para a festa à fantasia vestida de nazista! O racismo sempre existiu, existe e existirá. Mas até quando?

No Estádio do Morumbi, na última quarta- feira, o jogador Grafite foi o mais novo alvo desse preconceito contra a cor. Leandro Desábato, o zagueiro argentino do Quilmes, preso. Alguns podem argumentar "mas isso é futebol, todos se xingam". Verdade. Outros podem falar, "mas no meu bairro falam mal de coreano, de colombiano, de baiano". No continente europeu, mulher brasileira é sinônimo de "prostituição". E isso segue microscopicamente. Tem espanhol de uma região da Espanha que acha que o outro não é tão espanhol quanto ele. Umas tribos de negros africanos submetiam outras e os vendiam como escravos. E assim segue. Pois é, porém, se não passarmos a sermos totalmente intolerantes com o preconceito, mais tempo levaremos para extirpar esse que é um dos maiores males da humanidade. Legiões imensas de pessoas ao longo da História ou viram carrascos ou se transformam em vítimas da ignorância do preconceito.

Nosso Brasil é formado por levas de imigrantes. E quantos deles não teriam sido forçados a migrar por algum tipo de discriminação no país de origem? Tem preconceito e racismo para os mais diferentes gostos que precisa ser combatido. A vigilância faz parte da evolução humana na terra. A luta contra o atraso, contra fórmulas para facilitar a competição de alguns contra os outros é obrigatória. Nada pode orgulhar mais o universo do que a presença da humanidade. Seres pensantes, evolutivos, capazes de obras de alta dignidade. E, em paralelo a isso, nada poderia humilhar mais o mundo do que o egoísmo cego e as atrocidades cometidas por essa mesma humanidade.

Tolerância zero a qualquer tipo de discriminação, preconceito racial, religioso, sexual, político, psicológico ou físico. Lamento pelos argentinos, a grande maioria da nação vizinha que não compartilha com os atos do zagueiro do Quilmes. No entanto, cada caso de insinuação racista precisa ser severamente identificado e punido. Parabéns, Grafite. Tenho certeza de que a sua coragem vai inspirar muitas pessoas a se indignarem perante injustiças absurdas. A liberdade e a evolução humana têm um preço: luta interminável. O importante é ser feliz, mas é necessário estar sempre vigilante.

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