Tempero
latino
Quem conquista status de megapopstar não tem direito de errar. E Jennifer
Lopez - uma das 10 mais bem pagas atrizes de Hollywood e supervendedora
de discos, que já ultrapassou a marca das 35 milhões de cópias - tem plena
consciência disso. O segredo é imaginar o trabalho dela como uma rica
semente, que tem de morrer, após cada grande sucesso, e nascer novamente
para o próximo. Talvez foi por isso que ela batizou de Rebirth
(Renascer) o novo álbum, lançado pela Sony, um CD pop no sentido literal
da palavra. Cada vez mais linda e certinha, ela segue brilhando na constelação
das divas pós-modernas.
HUM
BATUQUE CLUB DJ HUM (Independente)
A festa-baile tem Lino Crizz, Xis, Cabal, Treze, SP Funk e uma rapaziada
"de prima". Destaque para as damas: Paula Lima, Mara Nascimento, Thulla,
Prettas Duet. E clipe, com Nelson Triunfo, Drica, Marcelinho e outros
dançarinos.
THE
MASSACRE 50 CENT (Universal) Sexo,
droga e canos mil... às vésperas do plebiscito sobre o desarmamento, o
álbum duplo do gansta rapper 50 Cent pode ser paradoxal. Mas, críticas
à parte, vale conferir o sucesso estrondoso desse mano de fé de Eminem.
À
VERA ZECA PAGODINHO (Universal)
Ogum, o guerreiro, abre o novo CD de Zeca. Não falta mais nada: chove
sambas de melodias primorosas, letras malandreadas, romantismo casado
com partidos, retratando o dia a dia dos morros e dos subúrbios.
EL
KILO ORISHAS (Universal) No terceiro
álbum, os afro-cubanos Roldan, Ruzzo e Yotuel devem agitar as pistas dos
clubes e as consciências juvenis, com seu rap dançante. Rimas contundentes
bailam sobre a música caribenha e os vigorosos naipes de metais.
SIGNO
DE AR JORGE VERCILO (EMI) Balanço
ou balada, o som de Vercilo é leve e suave, como propõe o título do novo
CD. Bom de ouvir e de gingar, mas, se tivesse uma face humana, teria o
olhar triste do autor, que não conquistou a independência criativa.
THE
REVEREND, EVERYTHING'S OK AL GREEN
(Blue Note - EMI) Gerações namoraram aos sussurros swingados e falsetes
do reverendo Al Green. Agora, ele voltou à Memphis para reencontrar o
produtor e arranjador Willie Mitchell, responsável pelos lendários sucessos
dos
BRASILATINIDADE
MARTINHO DA VILA (EMI) "Para sobreviver ao modismo, o sambista
tem que se transformar em artista e cuidar da totalidade de seu fazer
artístico", disse Martinho da Vila, nos anos 80. No novo e belo CD, ele
comprova que seguiu o próprio conselho.anos 70.
RAPPIN'HOOD MISTURA E MANDA
Em
seu segundo CD, Sujeito Homem 2, pela gravadora Trama, o rapper
paulistano Rappin'Hood traz uma constelação de convidados: Caetano Veloso,
Jorge Aragão, Jair Rodrigues e Zélia Duncan. O disco é dançante sem perder
a ideologia.
Raça Brasil - Você sempre mistura ritmos
em suas músicas. Acha que falta musicalidade ao rap?
Rappin'Hood - De jeito nenhum. Tudo é música. Esses ritmos
são a minha formação, o que eu ouvia na infância. Tudo é música. Se bem
que rap não é considerado música na Ordem dos Músicos do Brasil. Rapper
não tem carteirinha, nem DJ.
Raça Brasil - E os rappers mais ortodoxos
não torcem o nariz para a sua atitude mais aberta?
Rappin'Hood - Se falam, não
é na minha frente. Todo mundo parece curtir.
Raça Brasil - E como foi reunir todo este
elenco?
Rappin'Hood - Demorou nove
meses. Era tudo que eu queria. Saiu perfeito esse meu filhinho.
Raça Brasil - Já dá para o rapper brasileiro
ganhar bem como o americano?
Rappin'Hood - De jeito nenhum,
as verdinhas são 3 por 1, não dá para concorrer.
Raça Brasil - O País está em um momento
especial. Pela primeira vez um crime de racismo é denunciado em horário
nobre por um jogador de futebol.
Rappin'Hood - O que o Grafite
passou a gente passa todo dia e ninguém liga. Mas é importante. Está na
hora de a gente começar a ser respeitado.