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  A AGÊNCIA QUE É A NOSSA CARA
Instalada no Brasil desde 1929, a multinacional americana, JW Thompson, inova ao ter equipe de atendimento da cor brasileira

ADRIANA REIS
FOTOS: CÍNTIA SANCHEZ

Gisleine da Cruz Pereira, da área de Atendimento
O sorriso e a elegância das gêmeas Débora e Daniela de Pina, 27 anos, não passam despercebidos. As recepcionistas da agência de publicidade J.WalterThompson, em São Paulo, despertam surpresa e admiração nos visitantes. Do office-boy, que leva uma encomenda ao diretor de marketing, que chega para uma reunião, não há quem não repare na beleza e na simpatia das irmãs. "Somos o cartão de visitas da nossa empresa", afirmam, com orgulho. Débora e Daniela têm razão: estão na linha de frente do atendimento da agência. E não é à toa. A opção por ter uma dupla de negras na recepção faz parte de uma estratégia proposital da Thompson, uma multinacional norte-americana cujo principal objetivo é valorizar a raça negra e, por meio dela, todo o povo brasileiro. Débora começou primeiro.

Certo dia foi chamada por Oswaldo Capasso, que estava à procura de uma segunda recepcionista. "Disse que precisava de alguém exatamente como ela e perguntei se conhecia uma candidata com o perfil. Tive a mais inesperada resposta: tenho uma irmã gêmea", lembra. Além das gêmeas, a agência mantém outros dois profissionais afro-descendentes na área operacional, ou seja, que lidam diretamente com os clientes: os assistentes de conta Kayode Campos Adegeye, 23 anos, e Gisleine da Cruz Pereira, 32 anos. A proposta teve início no final de 1999, quando o publicitário Álvaro Novaes assumiu a presidência da JWT e notou que não havia, no quadro de funcionários operacionais, nenhum profissional negro. Na ocasião, a agência precisava de uma recepcionista e decidiu fazer uma seleção com candidatas negras. "Ficamos surpresos com o alto nível das profissionais. Eram muito bem preparadas", lembra o vice-presidente de Serviços de Comunicação, Oswaldo Capasso, 44 anos. A agência contratou Gisleine para a vaga. Depois, chegaram Daniela e Kayode, para completar o grupo.

Os quatro profissionais colecionam histórias relacionadas ao trabalho e à negritude. "É engraçado perceber a reação de surpresa de algumas pessoas, quando chegam e encontram duas irmãs negras na recepção", conta Débora. E como reagem os clientes? "Eles acham bárbaro, recebemos muito mais elogios do que queixas", garante Oswaldo Capasso. Ponto para a agência, que tem entre os clientes a Unilever, a Nestlé e, recentemente, conquistou a conta de três publicações da Editora Símbolo: as revistas UM, UMA e RAÇA.

O bem-humorado publicitário Kayode Campos Adegeye. Abaixo, uma campanha do xampu Seda, da Unilever

PENSANDO NO FUTURO
Quando questionado sobre a intenção desta iniciativa - se uma preocupação social ou mais uma "jogada de marketing" -, Oswaldo Capasso tem a resposta pronta: "Se fosse para fazer marketing com isso, teríamos contratado duas modelos para recepcionistas. Foi uma conseqüência. Tivemos uma mudança de atitude, relacionada à brasilidade. O que fizemos foi valorizar o próprio povo brasileiro", diz. A Nação agradece.

"Alguns clientes se surpreendem quando me conhecem pessoalmente. Por causa do meu nome, pensam que sou japonês", diverte-se o nigeriano Kayode Campos Adegeye. Há 25 anos, Olanruwaju Adegeye deixou família e amigos na tribo de Iorubá e imigrou da Nigéria para o Brasil, em busca de uma oportunidade de emprego. A empreitada deu certo: aqui ele casou, teve um filho (cujo nome, traduzido, quer dizer "aquele que nasceu para trazer alegria à família") e se estabeleceu profissionalmente. Kayode deu uma mostra dessa herança familiar quando cursava o segundo ano de Publicidade: mandou currículo para uma das maiores agências do mundo, a JWT. Já na entrevista, soube que procuravam um estudante do quarto ano. Kayode insistiu e ganhou a confiança da equipe; foi contratado e está na agência há três anos. Kayode é uma espécie de consultor de beleza das amigas. Não por menos, já que ele é assistente de contas da Seda.

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