Considerado
solo sagrado de Hollywood, o lendário tapete vermelho, como sempre, foi
a passarela mais disputada pelas estrelas na edição do Oscar deste ano.
Mas ninguém superou, em brilho e intensidade, um cometa de formas voluptuosas
que atende pelo nome de Beyoncé. Nem mesmo Hillary Swank, que levou o
prêmio de melhor atriz pelo papel em Menina de Ouro, também o
melhor filme, causou tanto frisson. Ídolo da nova geração do R&B, a cantora
de 23 anos - a maior parte deles dedicados à música - desembarcou na porta
do Kodak Theater a bordo de um pretinho tomara- que-caia da grife Versace,
deixando claro que chegava para arrasar.
Mesmo sem jamais ter sido indicada a um único prêmio da academia pelas
incursões no cinema (ela atuou em três blockbusters-Carmen: a Hip
Hopera, Austin Powers 3, The Fighting Temptations e A Pantera Cor-de-Rosa),
Beyoncé foi a única artista, nestas quase oito décadas da cerimônia mais
pomposa do planeta, que subiu três vezes ao palco para interpretar quase
todas as canções que concorriam à estatueta de melhor trilha sonora. Arrancou
um turbilhão de aplausos com os temas dos filmes O Fantasma da Ópera,
Expresso Polar e A Voz do Coração. De longo preto, collant prateado
e vestido florido, nesta ordem, foi oficialmente eleita pela imprensa
especializada do mundo todo como a mais elegante da noite. E não importa
o quanto as outras torçam o nariz: ela é mesmo a diva da vez. Um conto
de fadas que começou a se esboçar na infância.
O
NOME
BEYONCÉ É AFRICANO E QUER DIZER ALGO COMO "À FRENTE DOS OUTROS",
O QUE, NO CASO DELA, SOA COMO PROFECIA
|
FILHA
DO DESTINO
Segura de si, a virginiana tímida do Texas jamais duvidou que iria longe.
Nascida em Houston, Beyoncé Giselle Knowles deu os primeiros trinados
nos corais da Igreja Batista, freqüentada com fervor pela família. Com
faro empreendedor, seu pai, o produtor Mathew Knowles, tratou não só de
incentivar a filha como também de recrutar três de das suas coleguinhas
para o estrelato. Com a prima Kelly Rowland e as amigas La Tavia Roberson
e Le Toya Luckett, Beyoncé, aos 10 anos, liderava a primeira formação
do Destiny´s Child.
Era o começo dos anos 90 e a energia do rap e do hip hop fazia a cabeça
das garotas. O talento foi pouco a pouco lapidado em bailinhos de bairro
e concursos na escola, até que elas se tornaram conhecidas por lá. Sete
anos se passaram e daí surgiu um contrato com a Columbia Records, pelas
mãos da veterana Whitney Houston, depois de vê-las em um programa de calouros.
Pouco depois, a canção Killing Time era escalada para a trilha
do filme Homens de Preto. Vieram, então, os contratos milionários
e muitas divergências internas, que culminaram com a saída de La Tavia
e Le Toya, expulsas do grupo após acusar Mathew, empresário e pai de Beyoncé,
de divisão injusta dos lucros. O show tinha que continuar e a banda, agora
com a nova integrante Michelle Williams, vendia 35 milhões de CDs mundo
afora.
A origem do nome Beyoncé é afroamericana e deriva da expressão "beyond
others" (à frente dos outros). No caso dela, o nome era uma profecia.
Antes de completar 20 anos, a versátil cantora, compositora, produtora
e bailarina - meiga e amável, segundo alguns, autoritária e implacável,
segundo outros tantos - imprimia a visão do mundo, os amores e desafetos
à frente do trio feminino de maior impacto desde as Supremes - comandado
por Diana Ross.
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