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CLÁSSICO DA JUVENTUDE Crianças e jovens da Orquestra de Cordas da Grota do Surucucu, Niterói, estão construindo um novo futuro por meio da arte. Tudo graças a um homem que acreditou ser possível trilhar um caminho melhor
POR AIMÉE LOUCHARD FOTOS: IVONE PEREZ
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| Os meninos do grupo Negros & Vozes: do funk carioca
às músicas a capela no estilo do grupo americano Take 6 |
Negros & Vozes
A Orquestra de Cordas da Grota do Surucucu pode se orgulhar de ter tocado
em várias cidades do País, participado de festivais e ter feito sua primeira
turnê internacional por Portugal em 2000. Por trás do sucesso, há uma
mágica roda de boa vontade de voluntários, simpatizantes e amigos que
empurram o grupo para frente. Os instrumentos são de segunda mão. Um pianista
brasileiro radicado na Europa recolhe as peças ainda em condições de uso
e traz as doações a cada viagem de férias anuais. O maestro Márcio Selles,
da Universidade Federal Fluminense, sempre encontra tempo para coordenar
os ensaios, que contam, ainda, com o auxílio voluntário do também maestro
Fábio Almeida. Para Selles, que começou dando aulas de flauta na favela,
como antes fizera a mãe dele, a maior gratificação é ver jovens começarem
a voar com as próprias asas.
No rastro da orquestra, a cada dia mais jovens da favela despertam para
a música de qualidade. É o caso do grupo vocal Negros & Vozes, formado
por seis rapazes e uma moça, todos moradores da Grota. Geraldo da Conceição
Angelo, o Dinho, ex-funkeiro, 22 anos, conta que ficou vidrado quando,
há quatro anos, ouviu, pela primeira vez, um CD do conjunto americano
Take 6, especializado em canções religiosas interpretadas a capela (sem
acompanhamento de instrumentos). Aí, começou a imitá-los em casa, na frente
do espelho. Depois, decidiu chamar os amigos Ubiraci Barbosa da Silva,
22, e Rafael Amaral, o Rafa, de 23, para formar um conjunto.
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| Jonas Caldas constrói instrumentos e sonha em abrir
uma escola para ensinar seu ofício aos garotos da favela |
Arte em família
Atualmente, o septeto abre os concertos da Surucucu. O repertório inclui
negro spirituals, canções em dialetos africanos e música brasileira de
raiz. "É importante preservar os valores da cultura negra", prega o engajado
Dinho, que ganha a vida como entregador de bujões de gás e sonha em gravar
um CD, sair da favela e viver de sua arte.
O termo luthier designa todo fabricante de objetos musicais de cordas
- com exceção dos maiores, como os pianos e cravos. O profissional é também
um reparador dos instrumentos e arcos. Até os dias atuais as escolas são
raras e os profissionais, autodidatas: a profissão, normalmente, passa
de uma geração a outra nas famílias.
Jonas Caldas, um luthier requisitado, especialista em viola, violoncelo,
violino, contrabaixo e baixo acústico, informa que é capaz de construir
cinco instrumentos por ano. A meta dele agora é conseguir apoio financeiro
para a sua escola de lutheria, que, em um passado não muito distante,
já teve dez alunos. Hoje, sem patrocínio algum, ele ensina sua técnica
a apenas um. "Transmitir o que aprendi aos jovens da minha comunidade
é um projeto de vida", avisa. PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 |
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