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Sucesso como protagonista do filme Última Parada 174, de Bruno Barreto - lançado agora em DVD - o jovem ator se mantém focado na carreira

Por André Rezende

Outro tratamento
Michel ganhou elogios, a admiração de atores experientes e outras oportunidades para seguir na carreira. Ganhou também fama e respeito da comunidade que, aliás, não pretende deixar... por enquanto. "Moro aqui até hoje. Pretendo sair um dia, mas não agora. Mesmo porque ainda não tenho dinheiro para comprar uma casa (risos)". O que ganha como ator, ele ajuda nas despesas da família e economiza grande parte para realizar um outro sonho. "Estou terminando o ensino médio e quero me dedicar a uma faculdade de cinema, que foi como mel em minha vida, não consigo mais largar", revela. E quando questionado sobre o preconceito, Michel é direto. "É claro que existe, mas agora é diferente!"

Como assim, diferente?
Já passei por várias situações de preconceito só porque sou negro e morador de morro. Mas a fama muda alguma coisa. Vou dar um exemplo engraçado. Eu e meu irmão estávamos em uma moto quando ouvimos a polícia mandando encostar. Quando tirei o capacete e fui reconhecido, ouvi coisas dos policiais como 'puxa, parabéns pelo filme' ou 'caramba, ele é muito bom ator, arrebentou'. Se fosse antes...

Colocam todos no mesmo balaio, né?
No Rio de Janeiro a visão que se tem das pessoas que moram em comunidades é muito ruim. Mas 90% são honestas, trabalhadoras, batalham. Hoje em dia muita gente que tem a condição financeira boa e mora no Leblon ou Ipanema é quem assalta, trafica. Até mesmo subir o morro para beneficiar quem vende drogas. Porém, tudo mascarado. No Brasil somos todos mestiços, não tem um porquê disso. Muitos negros roubam, mas muito negros são roubados. E como diz uma música do Gabriel, O Pensador: "Cuidado com esse branquinho que está do seu lado (risos)"

Fotos PAULA PRANDINI\DIVULGAÇÃO

Dia do crime

No dia 12 de junho de 2000, Sandro Barbosa do Nascimento entrou no ônibus da linha 174 (Central-Gávea), no Rio de Janeiro para assaltar e, minutos depois, fez 11 passageiros como reféns. Com o veículo parado no bairro do Jardim Botânico, logo foi cercado pela polícia e, durante quase 5 horas, o que se viu foram momentos de pânico, violência e ameaças, tudo transmitido ao vivo por diversas emissoras de televisão. Um a um, os reféns foram libertados, menos a professora Geísa Firmo Gonçalves, que foi usada como escudo pelo assaltante.

Ao descer do ônibus, um tiro da polícia atingiu Geísa e despertou a ira de Sandro, que fez mais três disparos em seguida. Com a refém morta, ele foi dominado pelos policiais e morreu a caminho da delegacia, asfixiado. Sandro teve uma vida cheia de problemas e era um dos menores que estavam na Calendária na noite da chacina que vitimou oito moradores de rua, dois deles, menores de idade. Escapou do extermínio por se fingir de morto.

 

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