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  A sétima arte africana
O cinema caminha a passos lentos no continente africano, mas seus realizadores resistem a todos os obstáculos e insistem em manter viva a produção. para medir a temperatura e fazer um balanço da produção cinematográfica africana, é importante destacar o festival pan-africano de Cinema e Vídeo de Ouagadougou (fespaco) - o mais importante na região, que reúne cineastas da África e da diáspora

textos e fotos SONIA ARRUDA TOURÉ

Ouaga, como é carinhosamente chamada a cidade de Ouagadougou, é aconchegante, apesar da temperatura média de 33°C. Bicicletas, mobiletes e motos são os meios de transporte mais comuns entre seus cidadãos. São cineastas e cinéfilos de todos os cantos do mundo que vêm para ver de perto o cinema africano.

A 21° edição do Fespaco comemorou os 40 anos de existência do Festival e homenageou o cineasta senegalês Sembène Ousmane, considerado "o pai do cinema africano" e um dos criadores do evento. Sembène, morto em 2007, não perdia uma edição do festival. Seu último filme "Moolade", que trata do combate contra a incisão de mulheres na África, foi exibido no Festival de Cannes em 2004.

A história do Fespaco começa em 1969, com a criação da semana consagrada ao cinema africano. A iniciativa, tomada por um grupo de cineastas africanos engajados, entre eles, Sembène Ousmane e Moustapha Alassane, teve a participação de cinco países na sua primeira edição: Senegal, Burkina Faso, Mali, Níger e Camarões.

Em 1972, a semana transforma-se num festival competitivo, com a criação do Étalon de Yennenga, para premiar o melhor filme realizado por um cineasta africano. O primeiro vencedor foi Oumarou Ganda, do Níger, com o filme Le Wazzou Polygame.

Jefferson Dee, Paulo Betti e Carmen Luz. Presença brasileira no Festaco e intercâmbio importante entre Brasil e África

Parceria Brasileira

O surgimento de outros profissionais também começa a ganhar espaço. O cineasta Gastao Kaboré, de Burkina Faso, mantém um centro de formação em Ouagadougou que pretende ser celeiro de novos roteiristas e diretores. E a formação já desenvolve parcerias. Um exemplo é o Brasil, país que o mauritano Sissako escolheu para criar um centro de formação em Salvador, Bahia. O intercâmbio entre Brasil e África se desenvolve numa perspectiva positiva. Este ano, pela primeira vez, uma comitiva de cineastas afro-brasileiros participou do Fespaco, com uma mostra de filmes organizada pelo Centro Carioca de Cinema, coordenado por Zózimo Bulbul. Na comitiva, além dele, cineastas como Joel Zito Araújo, Jeferson De, Carmem Luz, Paulo Betti Rogério Moura, Ricardo Brasil , Flavio Leandro e Viviane Ferreira. "O Fespaco é diferente de outras mostras africanas no mundo. Aqui é o ponto de encontro de todos os cineastas africanos e seus descendentes", afirma Jeferson, que apresentou Carolina, seu curta-metragem premiado no Festival de Gramado. Jeferson também finaliza seu primeiro longa- metragem, Bróder, com lançamento previsto para o segundo semestre.

Cotidiano africano

Os roteiros estão cada vez mais diversificados e próximos da realidade. A polêmica entre a tradição e a vida moderna, e temas como imigração, injustiça, violência urbana, a situação das mulheres africanas e a contestação dos jovens estavam em praticamente todos os 375 filmes apresentados este ano. Teza, de Hailé Gerima (Etiópia), vencedor do Etalon de ouro de Yennega, mostra o retorno de um etíope a seus país após estudos na Alemanha e traça de maneira primorosa a história da Etiópia entre os anos 1970 e 1980. Absence, de Mama Keita (Mali) e Les Feux de Mansare, de Mansour Soura Wade (Senegal), também discutem as contradições culturais, a ausência e o retorno de africanos ao país de origem após um período no exterior.

 

 

 

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