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"O cineasta africano tem que produzir suas próprias histórias, ser protagonista da cena também atrás das câmeras. O cinema fzz parte da identidade de um país "
Cheick Camara, de Guiné Conacry
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A 21° edição do Fespaco foi realizada no último mês de março em Ouagadougou, em Burkina Faso, África Ocidental - considerada a capital do cinema africano - com a participação de diferentes gerações de cineastas do continente, entre eles, Cheick Oumar Sissoko (Mali), diretor do premiado Guimba, Idrissa Ouédraogo (Burkina Faso), realizador do filme Tilai, Abderrahane Sissako (Muritania), diretor de Heremakono, além de outros talentos como Mansour Sora Wade (Senegal), Cheik Fantamady Camara (Guiné Conacry), Owell Brown (Costa do Marfim), Daniel Kawma (Camarões), Mama Keita (Mali), Ismail Mohamed (Marrocos) e John Kani (África do Sul).
Tanta diversidade gerou opiniões diferentes. Para o mauritano A. Sissako, os países africanos não são solidários em relação ao domínio cinematográfico. "Ainda não foi criada uma política de cinema para o continente". Ele esclarece que há países como o Marrocos, que mantêm um esforço político do governo para o cinema, além da África do Sul, que desenvolve uma filmografia diferenciada e de qualidade. Em paralelo, também se destaca a Nigéria, a Nollywood africana, mas com filmes de baixo custo.
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O Etalon d'or de Yennenga (Etalon de Ouro de Yennenga) é o prêmio máximo do Festapo.
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Falta de autonomia
O cinema africano ainda depende muito de apoio financeiro, em grande parte de fundos públicos e privados europeus, com destaque para as organizações francesas. Para Camara, o ideal seria contar com o apoio do governo e da iniciativa privada africana, além de parcerias entre os países do continente. "Caso contrário, os cineastas daqui estarão sempre alimentados pelas mesmas fontes e nossa indústria cinematográfica não ganhará soberania". As estratégias de parcerias, porém, começam a ganhar espaço. Um exemplo é Ramata, uma co-produção pan-africana apresentada no último Fespaco, produzida pelo senagalês Moctar Ndiouga Bâ, com direção do congolês Léandre-Alain Baker e elenco de atores da Guiné, Antilhas e Senegal. O objetivo é ampliar o mercado com o esforço conjunto entre os países africanos.
POR DENTRO DO FESPACO
O ponto de encontro do cinema africano é marcado a cada dois anos em Ouagadougou, capital de Burkina Faso, país localizado na África Ocidental, fronteira com Mali, Gana, Costa do Marfim e Togo. A cultura cinematográfica faz parte da vida da população: quando um filme de Burkina entra em competição, as salas ficam lotadas. O público torce pelo filme do país, como em um jogo de futebol.
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Aïssa Maïga é uma das estrelas do continente e faz sucesso em vários filmes franceses
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Salas e estrelas
Nos países africanos, a redução das salas de cinema dificulta a distribuição. Nos Camarões, por exemplo, a última sala de cinema foi fechada em janeiro passado. Daniel Kamwa, cineasta camaronês, é otimista. "O fechamento das salas é temporário, elas vão reabrir e nós continuaremos a fazer nosso cinema", acredita. Porém, para levar o público africano ao cinema, é preciso reduzir os custos dos ingressos e valorizar um elenco de artistas para criar astros no continente.
Talentos existem, mas faltam parcerias para formação de um elenco de atores africanos reconhecidos pelo público. Este é um dos itens que pode colaborar para atrair mais espectadores ao cinema. Um bom exemplo é Aïssa Maïga, atriz senegalesa, conhecida por seus papéis em várias produções francesas, que também participa dos filmes africanos Bamako, de A.Sissako e No Way, de Owell Brown.
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