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Um dia com Afroreggae
por ELIANE MARTINS | fotos MÁRCIO NUNES / PHOTO RIO NEWS
13H - O CAMINHO DO BEM
Ao entrar no prédio Anderson Sá explica que cada andar tem uma cor diferente que identifica a atividade que irá acontecer por lá. "Aqui no primeiro andar, que pintamos de verde-claro para dar um clima de esperança, ficará a sala de assistência social, a coorde- nação e a lan-house 24 horas, com 20 computadores.
Se o cara se aborreceu em casa, vem pra cá e fica navegando na internet (risos). Não vai sair por aí fazendo besteira. Tem também uma sala para exposições e um auditório de vídeo, onde faremos sessões de cinema". No segundo andar, o amarelo, nosso guia esclarece: "Aqui tem um espaço para apre- sentação que nós chamamos de 'Cérebro de Criação'.
Também vai funcionar 24 horas e será uma área para ensaios, trabalhos circen- ses e o que mais puder". No terceiro andar, de paredes pretas, está o futuro estúdio de dança, o de gravações e a sala dos professo- res. "Fazemos um trabalho para passar de geração para geração.
Queremos lideranças jovens que coloquem o nosso trabalho para frente em outras comunidades também, além das que já atendemos." O andar vermelho, o quarto, está o espa- ço reservado para trabalhos com jovens de fora da comunidade de Vigário Geral. "Eles aprendem conosco e transmitem às comunidades de origem", conta Ander- son, orgulhoso.
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14H - AFRO MANGUE
É hora de visitar a sede atual, centro de resistência do AfroReggae, na Associação de Moradores de Vigário Geral. Na recepção, um quadro destaca a missão do Grupo Cultural. "São essas frases que fazem nosso projeto caminhar cada vez melhor", avalia, e recita: "Nossa missão: promover a inclusão e a justiça social utilizando a arte, a cultura afro-brasileira e a educação como ferramentas para a criação de pontos que unam as diferenças e sirvam como alicerces para a sustentabilidade e o exercício da cidadania". Em seguida, ouve-se um batuque no terraço da Associação. É o grupo Afro Mangue esquentando seus galões e suas latas velhas. "O Afro Mangue toca em instrumentos não convencionais, reciclados do lixo, como latas, galões e pedaços de cabo de vassoura. Eles tocam maracatu, samba-funk, samba-reggae e muitos outros ritmos comuns à cultura brasileira", conta.
15H - CASA DA ESQUINA
A próxima parada é a Casa da Esquina. No caminho, é possível medir a popularidade de Anderson na comunidade. A todo instante, ele para, conversa e atende os moradores que querem saber quais são as próximas atividades do grupo. Ao chegar à Casa da Esquina, a fachada logo chama a atenção, pintada ao estilo AfroReggae. O lugar funciona como um armazém de instrumentos. "Isso tudo vai para o Centro Cultural, mas, por enquanto, cada um tem o seu cantinho aqui para guardar seus equipamentos de estudo e trabalho", esclarece enquanto posa no meio de bumbos e tambores.
15H30 - DESPEDIDA
Hora de deixar a comunidade de Vigário Geral, mas ao entrarmos na viela que dá acesso à passarela de saída, Anderson Sá recorda o passado. O seu passado. Afinal, teve um tio assassinado na infamemente famosa chacina de Vigário Geral, de 1993. Ele nos mostra o lugar onde funcionava o boteco em que várias pessoas foram mortas e, em frente, a casa dos evangélicos, também vítimas do crime. "Eles ouviram a confusão no bar onde meu tio estava, foram para a janela ver o que estava acontecendo e toda a família foi morta: viram o que não deviam ter visto e foram assassinados", recorda. Ao se despedir da equipe, solta uma intimação: "Quero a presença de RAÇA BRASIL na inauguração do Centro Cultural Waly Salomão. Vou esperar vocês em junho!". Convite estendido ao leitor.
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