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  Adriana Lessa mostra ao que veio!

Você viajou muito por conta do seu trabalho. Visitou vários países da Europa, Canadá, Japão, Costa do Marfim, África do Sul... Quando você esteve no exterior, era identificada como uma brasileira ou como uma negra brasileira?

Como uma mulher brasileira que, assim como meus colegas artistas, estava representando seu país. Mas também vivi um tipo de solidão muito doída. Eu viajei e vi coisas que só tinha visto em livros e, quando voltei, queria contar para meus amigos, compartilhar, mas muitas vezes era acusada de ser esnobe. Talvez eu não soubesse me colocar de forma adequada, a minha timidez talvez fizesse soar como antipatia.

As pessoas falam: "ah, não gosto de política", mas tudo é política, até o bom dia para o porteiro. Se você o trata com respeito, num dia de chuva ele abre o portão logo"

O quesito cor não é considerado, então...

Não, não mesmo. Eu ficava encantada como eles me recebiam porque eu era muito nova e sempre tive um olho muito curioso, muito ávido de informação. E isso é um grande fator de crescimento. As pessoas falam: "Ah, tá difícil estudar, ir para uma faculdade". Não importa. Pega um jornal, leia um livro, veja o que está acontecendo no mundo, entenda a política. Aí falam: "Ah, não gosto de política". Tudo é política, até o bom dia para o porteiro é política. Se você o trata com educação, o respeita, num dia de chuva ele vai abrir o portão mais rápido para você não se molhar.

E o que as mulheres que você interpretou trouxeram para a sua vida?

Olha, eu tento me distanciar das personagens porque senão a gente fica louca, né, mas é claro que todas deixam marcas. Mas o mais legal é como elas refletem para as pessoas. Quando eu fazia a Rita, uma mulher que apanhava do marido, vivia na ponte aérea Rio-São Paulo, e muitas senhoras ricas, finas e elegantes vinham conversar comigo porque viviam aquela situação. As pessoas têm mania de achar que esse tipo de coisa só acontece com pobre, estão muito enganadas.

Quais personagens mais te marcaram?

Ai, que pergunta horrível! Não sei, não tem! Isso parece a "escolha de Sofia", é como ter que escolher um filho. Cada um acontece numa fase da vida, num momento. É mágico, na verdade é divino, são presentes de Deus. E estou muito aberta para receber muitos presentes.

Quando você chegou, me disse: "Nossa, estou tão feliz de estar aqui, de fazer essa matéria", mas de um jeito tão calmo e contido que eu até brinquei que você podia demonstrar sua alegria (risos)! Você é uma pessoa contida?

Olha, já tomei muita bordoada! Às vezes nem apareço, nem me conhecem e já falam, só que isso tem reflexo em questões comerciais, profissionais... Então procuro ter muito cuidado porque um bom dia pode ser mal compreendido. Mas eu vou me soltando conforme vou ficando mais íntima. É como uma paquera, né. A gente começa de longe, vai chegando de mansinho, observando, respeitando o outro... Eu sou assim, mas quando me solto, menina, aí as pessoas pedem para eu parar de falar (risos)!

Todos os diretores de TV e teatro com quem você trabalhou rasgam elogios ao seu talento. Isso te envaidece ou te preocupa?

Me envaidece, é claro, mas aumenta o meu senso de responsabilidade porque me leva sempre a fazer o meu melhor naquilo que me proponho. O elogio também é uma recomendação, e eu quero estar à altura da confiança que essas pessoas depositam em mim.

"O elogio também é uma recomendação, traz mais responsabilidade. Eu quero estar à altura da confiança que depositam em mim"
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