Adriana é uma mulher bastante curiosa. O corpo exuberante de ex-jogadora de vôlei e o sorriso aberto escondem uma personalidade doce, quase arredia. Ela chega de mansinho, estabelece os laços, cria intimidade e então se entrega. Inteligente, articulada, culta e viajada ela sabe muito bem onde está na vida e para onde vai. Não teme desafios, lida bem com críticas, se mantém aberta e preparada para as oportunidades que surgem e sabe que só o talento, a dedicação e a tolerância podem pavimentar a estrada do sucesso, não há atalhos. E esse caminho ela sabe de cor
por ELIANA ANTIQUEIRA fotos CAIO MELLO assistente SILAS JR produção ANDREA DA ROCHA maquiagem ANDERSON BUENO
Você foi jogadora de vôlei federada e tinha expectativa de ser atleta. Como a arte surgiu na sua vida?
Um amigo meu disse que o Antunes Filho procurava uma mulher para fazer a Chica da Silva e que eu era perfeita. Eu dizia "que mané perfeita o quê!". Mas fui, não tinha nada a perder! Fiz o teste, passei. Estava de férias na escola, no vôlei e meu pai liberou. Logo depois estava na Europa participando de festivais de teatro.
A disciplina de atleta te ajudou na carreira de atriz?
Muito. Às vezes a gente tomava umas duras do diretor e muita gente ficava abalada. Para mim era normal porque estava acostumada à rigidez dos treinos, dos técnicos, a respeitar horários... Aliás, sou pontualíssima nos meus compromissos, herança dos tempos de atleta. O esporte também me deu concentração e resistência a ouvir críticas, porque nos ensina a perder mais do que a ganhar, e a necessidade do outro para seu sucesso porque esporte sempre é um trabalho em equipe.
Você foi atleta, é atriz, apresentadora, cantora, radialista, tem múltiplos talentos. Qual desses papéis te dá mais prazer?
Eu gosto de tudo. Mas a cada dia que passa entendo que gosto de ser uma cidadã, uma mulher brasileira. Pode parecer bobagem isso, mas não é não. São tantas dificuldades que a gente enfrenta a todo segundo que precisamos superar não apenas o que está no externo, mas também, e principalmente, nossos obstáculos internos. Em relação ao trabalho, todo o momento em que fiz alguma coisa, amava aquilo acima de tudo para ter bom êxito comigo mesmo. O trabalho como atriz é o que as pessoas veem mais porque novela dá uma grande exposição. No momento faço um trabalho como apresentadora de TV, que já havia feito na Bandeirantes e na MTV.
Você falou que o papel que mais te interessa é ser uma cidadã. Neste mês comemora-se o Dia Internacional da Mulher. É difícil ser uma atriz negra no Brasil?
Existem sim suas dificuldades, se eu disser que isso é bobagem, estou mentindo. Mas eu tenho que ultrapassar tudo e cada um usa as armas que tem. Não posso parar por causa disso até porque isso dói muito. Se eu sinto que estão me usando, eu vou abusar do uso que fazem de mim. Então, abuse e use (risos)! Isso é um empecilho, mas também uma grande oportunidade. Se eu não fosse mulher e negra, não teria feito as grandes personagens que fiz. Devo até dizer que houve outras mulheres antes de mim que abriram caminho. Léa Garcia, Ruth de Sousa... Se já é difícil agora imagine no tempo delas!
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