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Saúde
  O perigo que nos ronda
Às vezes somos surpreendidos por descobertas que se destacam nas ciências da saúde, principalmente nos últimos 50 anos. tratamentos que possibilitam maior qualidade de vida para quem sofre de doenças até consideradas incuráveis

POR SONIA NASCIMENTO/ ILUSTRAÇÃO SÍLVIO

SEMPRE SE QUESTIONOU SE EXISTE REALMENTE MAIOR INCIDÊNCIA DE CERTAS DOENÇAS ENTRE OS NEGROS. Males como anemia falciforme, aneurisma da aorta, câncer de próstata, diabetes, hipertensão, glaucoma e miomas – as quais, diferentemente da AIDS, são consideradas hereditárias – têm sido bastante discutidos na área médica. A questão dá margem ao debate da relação entre “raça” e doença. Mas, será que faz sentido falar em “doenças raciais”? O estudo do seqüenciamento do genona humano já permitiu chegar aos halotipos (os fatores que levam cada indivíduo a ter predisposição genética), que poderão ajudar a desvendar os genes responsáveis por várias doenças. O que existe de novo nos tratamentos desses males ditos raciais?

GLAUCOMA
O glaucoma representa uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. É uma doença causada pelo aumento da pressão ocular que pode resultar em danos irrecuperáveis ao nervo óptico, levando à perda lenta e progressiva da visão. Esse mal pode ser detectado somente por um exame oftalmológico cuidadoso, em que o especialista mede a pressão intraocular e o exame do fundo de olho. Pessoas da raça negra têm maior predisposição (quatro vezes mais) de serem afetadas pelo glaucoma em relação às da raça branca. No mundo todo, inúmeras pesquisas estão sendo realizadas para esclarecer quais são as verdadeiras causas do glaucoma, melhorar os meios para se chegar aos diagnósticos e tornar o tratamento eficaz e mais fácil. Uma companhia de Taiwan desenvolveu com sucesso uma recente invenção – a Matriz Colágeno, que aumenta significativamente o índice de sucesso para cirurgia não apenas de glaucoma, mas de outras operações oftálmicas. O Implante de Matriz Colágeno OculusGen (R) foi aprovado por quatro hospitais universitários, tanto em Taiwan como na China. Na maioria dos casos o glaucoma progride lentamente sem que o paciente perceba a perda gradual da visão lateral. Em algumas raras ocorrências os sintomas oculares são bem definidos, como, por exemplo, dor nos olhos ou ao redor deles à alteração da visão, como halos coloridos. O risco de contrair glaucoma aumenta com a idade, e é mais comum após os 40 anos. Além disso, pessoas com casos de glaucoma na família estão mais propensas a contrair a doença, por isso têm de ser examinadas periodicamente pelo oftalmologista.

ANEMIA FALCIFORME
Antigamente era considerada doença fatal, e os pacientes morriam antes de completar 30 anos. Isso ocorria por causa de infecções, insufi ciência renal e cardíaca e trombose. Considerada um “erro celular”, a anemia falciforme é uma doença que no futuro poderá ser combatida com a tecnologia desenvolvida a partir da Biologia Molecular, conhecida como siclemia ou sicklemia, e foi descoberta em 1904 por um médico americano, ao atender um estudante negro com fraquezas e dores de cabeça. Ao examinar uma amostra de sangue do paciente, ele percebeu que as células vermelhas estavam diminuídas pela metade, e que havia grande número de corpúsculos fi nos, alongados e em forma de foice. O portador do traço genético falciforme nem sempre desenvolve a doença, para que isso aconteça é preciso que o pai e a mãe apresentem o problema. Os glóbulos vermelhos que contêm a hemoglobina também sofrem mutação e adotam a forma de foice, por isso o nome anemia “falciforme”. Esse mal faz os glóbulos vermelhos perderem a elasticidade, causando microenfartos em diversas partes do corpo. Uma provável mutação genética que aconteceu na África há milhões de anos pode ser a causa desse tipo de anemia. A freqüência é maior entre os negros, e atinge 4 em cada 1.000 indivíduos no mundo. Parece pouco, mas em certas regiões da África a presença do gene pode chegar a 40% da população negra; nos EUA e em Cuba, a média de vida das pessoas que sofrem desse mal é de 56 anos. No Brasil o gene dessa anemia afeta 6% da população brasileira, ou pouco mais de 11 milhões de pessoas, e a média de vida oscila entre 18 e 21 anos, mas é alta a taxa de mortalidade de crianças falcêmicas menores de 5 anos. Considerando-se negros e pardos, o índice sobe para 10% – 8 milhões de pessoas. Mas foi da África que chegou o primeiro remédio: Jérôme Fagla Médégan, médico de Benin, descobriu uma fórmula que permite prevenir a doença. O VK 500 permitiria aos glóbulos vermelhos recuperarem a forma original e salvar perto de 200 mil africanos que nascem, por ano, com esse mal. O remédio à base de plantas só foi utilizado in vitro. Até então se usava analgésicos, transfusões de sangue regulares, que não atacavam o problema na raiz. A produção do remédio logo será iniciada: um laboratório na França aceitou produzilo depois que o Instituto Francês de Propriedade Industrial concedeu a Fagla Médégan a patente pela descoberta. A prevenção no tratamento dessa anemia é fundamental.

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