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  Vinho sem mistérios
Impulsionado por um ritual charmoso e por pesquisas científicas que atribuem ao vinho uma série de benefícios à saúde, cresce a cada dia o interesse em desvendar os aromas, sabores e os segredos da mais surpreendente bebida criada pelo homem

POR MARCO MERGUIZZO
FOTO: MÁRIO LEITE

Capturar inúmeras sensações num copo de vinho em suaves movimentos circulares é um ritual único. Além de história e cultura ali contidas, admirar sua cor, vê-lo expandir-se no olfato e deixar que acaricie o paladar o torna a mais complexa e fascinante das bebidas. De fato, a fermentação natural da uva produz uma bebida alcoólica que revigora, refresca e deixa na boca um gosto que nos convida a saboreá-la de novo. À mesa, a intensidade dos seus aromas e sabores faz dele um líquido perfeito para acompanhar uma refeição, realçando os temperos, contrabalançando o gosto da gordura, fazendo as carnes parecerem mais macias e facilitando a digestão. Sem contar a série de benefícios à saúde humana, amplamente avalizada por médicos, como o combate à oxidação celular, a redução de doenças cardíacas e a osteoporose, entre outros males.

Graças a um certo Louis Pasteur (1822-1895), pai da moderna microbiologia e também vinhateiro nas horas vagas, sabe-se que o vinho não é produto do acaso nem um presente de deuses beberrões, mas da fermentação produzida por microrganismos. É, por definição, resultado da fermentação espontânea e natural de uvas frescas e maduras. Ou seja, a partir do esmagamento da polpa da uva, das cascas, sementes e talos se obtêm um líquido espesso chamado mosto, que é a matéria-prima básica com a qual se faz a bebida. A fermentação alcoólica acontece quando as cascas de uvas maduras se rompem, permitindo que fungos microscópicos - as leveduras - penetrem no fruto e desencadeiem todo o processo.

OS TIPOS DE UVAS
Francesas, italianas, lusas ou espanholas

BRANCAS
Alvarinho, chardonnay, chenin blanc,
clairette, furmint, gewürztraminer, malvasia,
muscat, pinot blanc, pinot gris, prosecco,
riesling, sauvignon blanc e sémillon, tocai
friulano, trebbiano, ugni blanc e viognier

TINTAS
Aragonês (tinta roriz), barbera, bonarda, cabernet
franc, cabernet sauvignon, carignan, carmenère,
castelão, cinsault, dolcetto, gamay, grenache,
lambrusco, malbec, merlot, nebbiolo, periquita,
petit verdot, pinotage, pinot noir, sangiovesse,
syrah (ou shiraz), tannat, tempranillo, tinto
cão, touriga nacional, trincadeira
e zinfandel

É um fenômeno natural que pode ocorrer até mesmo sem a participação direta do homem. As uvas tanto podem ser esmagadas em lagares com os pés (sim, aquele método artesanal superantigo e quase em desuso que se vê nos filmes históricos mas até hoje empregado em alguns lugares do mundo, como a região do Porto, em Portugal, e nas pequenas vinícolas familiares do Sul do país) quanto em modernas prensas pneumáticas. Para fazer o vinho branco utiliza-se uvas brancas ou tintas. Em ambas, são retiradas as cascas e as sementes antes que o mosto comece a fermentar em cubas de inox, não havendo necessidade de esmagar a sua polpa. Já no caso dos tintos, emprega-se, apenas, as pretas junto com as sementes e cascas. É na casca da uva, por sinal, que estão os pigmentos que vão dar cor à bebida. Depois disso, o líquido rubro predileto de Baco vai para tonéis de madeira para amadurecer e turbinar seu DNA de aromas e sabores.

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