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economia
  O sonho da casa própria
Já existem mais opções de crédito e outras facilidades para realizar o desejo de ser um feliz proprietário

POR SOLANGE GUIMARÃES

FOTO: MICHAEL MAHOVLICH / MASTERFILEA conjuntura está favorável para compra de imóvel. Há um grande volume de recursos disponíveis para financiamento imobiliário, uma facilitação do acesso ao crédito, percebese a melhora na renda do trabalhador e a lenta, porém constante, redução da taxa básica de juros. O cenário é tão positivo que as construtoras e incorporadoras apostam em um crescimento entre 25% e 30% no volume de venda de imóveis. O foco é construir para a classe média. De olho nela, os bancos vêm competindo para apresentar melhores condições. Alguns oferecem financiamentos de até 20 anos, outros colocam os juros abaixo de 10%, há ainda os que estão trabalhando com juros pré-fixados até o final do contrato e os que dispensam o pagamento da entrada. Até as exigências de comprovação de renda estão mais flexíveis. Mas é bom observar o que cada instituição chama de "imóvel para a classe média", porque os preços de apartamentos para essa faixa da população variam de 50 mil a 300 mil reais.

O famoso Sistema Financeiro da Habitação (SFH), por exemplo, está disponível para imóveis de até 350 mil reais e o valor máximo de financiamento é de 245 mil. Nessa linha de crédito é possível utilizar os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para amortizar parte da dívida. Com o crédito fácil, o segmento de construção econômica para a classe média baixa esquentou. "Para o nosso cliente o que importa é saber quanto vai ser o valor da prestação, por isso, a queda dos juros e o acesso ao crédito é fundamental", avalia Henrique Alves Pinto, diretor geral da Construtora Tenda, especializada em imóveis de até 70 mil reais para uma clientela com renda superior a 1 mil reais e que pretende entregar este ano 6.000 unidades na Grande São Paulo.

Onde está o dinheiro?
 O banco Itaú acaba de lançar um plano em que reduziu os juros para 8% ao ano nos primeiros 36 meses de contrato, para imóveis de R$ 50 mil a R$ 100 mil. E o prazo para aprovação do financiamento, que antes era de 45 dias, em média, encurtou para 15 dias.
 O Bradesco também trabalha com taxa fixa de 8% nos 3 primeiros anos de financiamento para imóveis de até R$ 120 mil.
 O banco Nossa Caixa reduziu os juros e aumentou o prazo de financiamento para imóveis com valor entre R$ 100 mil e R$ 150 mil, a taxa será de 10% ao ano
nos primeiros 36 meses; após esse período, o juro volta aos 12%.
 Para imóveis de até R$ 120 mil, os juros do ABN Amro Real estão préfixados de 9% ao ano. Muitos bancos já oferecem planos com prestações fixas por 10 ou até 20 anos.
 Na Caixa Econômica Federal, o maior repassador de recursos do FGTS, as taxas para imóveis de até R$ 100 mil variam de 6% a 10,16% ao ano. A Caixa oferece ainda a Carta de Crédito FGTS, que pode ser usada tanto para compra de material de construção quanto para compra de imóvel novo ou usado, por famílias com renda a partir de um salário mínimo.

CAMINHOS E ATALHOS

Outra construtora que investiu nesse segmento é a mineira MRV, que oferece imóveis em 29 cidades nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Goiás, Rio de Janeiro, Santa Catarina e no Distrito Federal. Segundo a empresa, 70% das vendas são por financiamento próprio. A MRV dá desconto para pessoas que queiram comprar o apartamento na planta e quitar o financiamento antes da entrega das chaves. Há também planos com parcelas fixas em até 60 meses, com no mínimo 15% de sinal, e com prestações corrigidas em até 100 meses.

Mas antes de optar pela forma de comprar a casa própria é preciso fazer algumas reflexões. A primeira delas, é considerar que financiamento imobiliário é um compromisso de muitos anos e, portanto, é preciso planejá-lo nos mínimos detalhes. "O financiamento só vale a pena se a pessoa tiver um bom dinheiro guardado, seja em alguma aplicação financeira ou no FGTS. Pagar uma grande parte do valor à vista e financiar uma pequena diferença é o melhor negócio", orienta a advogada especializada em direito imobiliário, Mirelle Ottoni. Se esse não for o caso, o melhor é guardar uma quantia todo mês para comprar o imóvel daqui a alguns anos.

Outra tentação que deve ser bem analisada é a compra de apartamentos em leilões. Nesse tipo de negócio, encontra- se imóveis até 40% mais baratos que o preço de mercado, porém a maioria está sob disputa judicial. Comprar imóvel por meio de consórcio só vale a pena para quem mora com os pais ou não tem de pagar aluguel.

Hoje, os bancos estão emprestando mais porque conseguiram garantias da Justiça. Agora o financiador pode contar com a alienação fiduciária, que significa que se o mutuário atrasar o pagamento da prestação por três meses pode ter o imóvel retomado em até seis meses. Antes, as operações eram garantidas pelo sistema de hipoteca e a retomada do imóvel se arrastava por muitos anos.

Simulação de cálculo
APARTAMENTO R$ 100 MIL
FINANCIAMENTO 10 ANOS
TAXA DE JUROS 12% AO ANO
JUROS R$ 200 MIL
DÍVIDA R$ 220 MIL
PRESTAÇÃO R$ 1.833
JUROS R$ 1.000
AMORTIZAÇÃO R$ 833
Os R$ 220 mil divididos pelos 120 meses do financiamento resultam numa prestação mensal de R$ 1.833. Desse valor, R$ 1.000 são só de juros e R$ 833 amortizam de fato o valor do apartamento. Se, em vez de fazer o financiamento, você optar por pagar aluguel e guardar parte do dinheiro. Encontre um apartamento semelhante para alugar por, no máximo, R$ 1.000 por mês. Aplique os R$ 833. Em 10 anos eles renderão R$ 99.999. Valor que dá para comprar o mesmo apartamento à vista.

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