Aconteceu com a publicitária Cristiane, de 34 anos, mas com certeza você tem uma história parecida para contar. Outro dia, no sossego do lar, ela fazia uma pesquisa no computador que compartilha com o marido. De repente, começa a piscar na tela um recadinho pseudocúmplice enviado por uma garota para ele pelo messenger. Como agir em um momento como esse, em que a tecnologia invade a sua intimidade de forma tão brutal que te impulsiona a responder com palavras impronunciáveis à provocação? Autora do livro Net.com.classe, a jornalista e consultora de etiqueta Claudia Matarazzo é clara: no mundo virtual,valem as mesmas regras de seu dia-a-dia. "Não faça nem fale nada na rede que você não falaria ou faria fora dela", aconselha.
Prefira usar expressões como "caro fulano" a simplesmente "fulano" no início das mensagens
Barracos, não é preciso ser expert para saber, pegam mal mesmo que tenham como intermediária a tela do computador. Por outro lado, é difícil resistir ao poder de aproximação e ao material informativo que se encontra a um click de nossas mãos. A jornalista Ana Clara, de 35 anos, é fanática por orkut, messenger, YouTube. Protegida pelo anonimato, Ana Clara navegava pelas páginas no orkut de amigos, de conhecidos e de qualquer pessoa que tivesse alguma relação com o carinha com quem vinha saindo. Foi pela rede, por exemplo, que ela soube que o garotão ia casar. Com outra.
Quando menos esperava, o orkut mudou as regras do jogo. Da noite para o dia, a pessoa que exibia no endereço virtual perfil, fotos e afins passou a ter o direito de saber quem visitava a sua página. E aí, gente que nunca tinha ouvido falar da Ana Clara percebeu que ela tinha um interesse todo especial em suas vidas e começou a retribuir a visita. "Mas foi todo mundo muito educado, ninguém me perguntou o que eu queria", conta.
Para Claudia Matarazzo, porém, xeretar a vida dos outros é um comportamento inadimissível. "Não é nem questão de etiqueta, mas de sabedoria", afirma. "É como vasculhar o paletó do namorado, não dá. Além do mais, quem procura acha." Clara se defende dizendo que quem prefere não se expor tem a opção de não criar blogs e fotologs, nem participar de comunidades e sites de relacionamento. "Se está na chuva é pra se molhar", ressalta. O fato é que, de dez anos para cá, a tecnologia provocou um rebuliço danado em nossas vidas.
Relacionamento pela internet pode dar certo?
POR JULIANA ZACHARIAS. MEMBRO DO NÚCLEO DE PESQUISA EM PSICOLOGIA E INFORMÁTICA WWW.PUCSP.BR/CLINICA
Tentar entender a mágica que faz com que as pessoas gostem desse ou daquele indivíduo, sempre foi um mistério atraente para artistas e cientistas; para apaixonados e abandonados. O casamento e o vínculo afetivo entre homens e mulheres nem sempre foi vivido na forma com que o conhecemos atualmente. Essa forma de união estável, monogâmica e eterna, associado ao amor, nos remete ao século passado. Mas, devido às diferenças de poder existente na época, entre os gêneros masculino e feminino, fica difícil imaginar que as escolhas fossem realmente livres. Porém a internet, possibilita um elemento que parece fundamental nesse primeiro momento da conquista: a possibilidade de as pessoas se refugiarem na fantasia. Para corresponder a esse ideal de não-frustração, as pessoas também devem se mostrar perfeitas. Nesse ponto, o espaço virtual da rede facilita o campo para a expressão das fantasias e idealizações, que podem ser muito sedutores no início de uma relação, mas que trazem em seu bojo o risco de aumentar as frustrações no desenrolar do contato. Algumas características do contato pela internet facilitam algum "disfarce" das nossas fragilidades e dificuldades, que não são vistas com bons olhos, nos dias de hoje. Tentamos parecer perfeitos e o outro também se mostra assim. Desse modo, a idealização, que em certa medida sempre está presente no vínculo amoroso, pode impedir que essa relação sobreviva a um contato presencial. O que fazer então? Como sempre, não há "receitas", ou modelos prontos de solução! Porém, podemos propor, como alternativa para este difícil momento de transição, que tentemos nos mostrar por inteiro (seja na net, num bar, num cinema ou numa "balada"), com nossas imperfeições e potencialidades. E, ao mesmo tempo, termos em mente que ali na nossa frente, existe uma outra pessoa que, como nós, está também ao mesmo tempo assustada e encantada com a possibilidade de um novo encontro amoroso; ou, quem sabe, daquele encontro que será o definitivo e pleno!
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