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  Leilah Moreno
Ela traduz toda a força e energia de uma artista que mesmo quando decola não tira os pés do chão

POR MARCELO WYSOCKI

FOTO: DIVULGAÇÃO
"Pretendo fazer de tudo nesta vida. Cantar, dançar, atuar e tudo mais que esteja relacionado a arte"
As faixas de seu novo disco, VIP, vieram para sacudir a galera. Um exemplo é a música Levanta a Mão, que já é sucesso na novela Cobras & Lagartos, da Rede Globo, com sua perfeita mistura de Rhythm and blues e reggaeton. Produzido por Tchorta Boratto, o disco é um dançante percurso pelas diversas faces da black music, interpretado por uma artista que vem construindo sua carreira desde os 5 anos. "Venho de uma família de músicos, meus avós eram repentistas e minha mãe e meus tios tinham um grupo de samba, partido alto e MPB. Aos 9, minha mãe descobriu que eu tinha boa voz, então, me colocou para cantar na banda da família", conta.

Sua família sempre a apoiou na sua escolha musical?
Totalmente! Principalmente a minha mãe. Quando decidi aos 12 anos viver só de música, ela foi a primeira a me levar na ordem dos músicos do Brasil (OMB) para me profissionalizar, fazia minhas roupas, ajudava nos ensaios, dava dinheiro para o ônibus. Mamãe sempre confiou em mim quando tinha de viajar com a banda. Cai na estrada aos 14 anos, desde então minha mãe sabia que eu viveria mais fora de casa do que dentro... E sempre me apoiou. Se devo alguma coisa para alguém, é para ela. Minha mãe é meu altar!

Sem medo de ser feliz, Leilah Moreno foi buscar outras influências para misturar ao repertório familiar. "Minhas influências eram samba, rap, house, Miami, pop, Michael Jackson e tudo relacionado à música dos anos 1970. Aos 12 anos montei minha primeira banda: tocávamos Guns n' Roses, Pink Floyd, Paralamas, Kid Abelha e Titãs. Aos 14, passei a fazer covers em uma banda de baile profissional, cantava realmente de tudo."

Quem você gostaria de ter como parceiro(a) no futuro?
Nossa... Várias pessoas... Muitos deles são desconhecidos do público, outros conheci recentemente, de alguns sou fã e com outros gostaria de cantar junto. Vou dar exemplos: minha mãe, Ivete Sangalo, J. Quest, Ed Motta, Jorge Vercilo, Rosa Maria, O Rappa, Lulu Santos, Aretha Franklin, Mary J. Blige, Terry Walker, Billie Holiday... Sem contar a minha maior referência, Michael Jackson. Sempre vou acreditar que um dia vou pisar com ele no palco... Não custa sonhar não é?

A carreira dela está também muito vinculada à televisão, primeiro cantando e agora representando. De programas de calouros até o Altas Horas de Serginho Groisman, Leilah sempre marcou presença com seu jeito personalíssimo de interpretar.

Na televisão, você já cantou em diferentes tipos de programas...
Foi importantíssimo em minha vida. Quando participei do programa de calouros aprendi a ganhar e perder, a competir, a estudar, me esforçar, ouvir, respeitar minha voz, me reeducar, acreditar em meu potencial. E descobri que poderia cativar pessoas além dos palcos, mas também em frente às câmeras. Porém, o mais importante e a maior lição de minha vida em um programa de TV foi aprender sobre os bastidores... Cresci muito, por conta disso tomei coragem e passei a acreditar mais em mim e a ter como ideal trabalhar nesse veículo de comunicação.

Leilah acabou sendo descoberta pela cineasta Tata Amaral como uma das quatro protagonistas do longa-metragem Antônia, que entrará em circuito nacional no início de 2007.

Conte um pouco mais sobre o filme Antônia - qual é o seu papel?
Minha personagem chama-se Barbarah, uma órfã de pai e mãe que vive com o irmão mais velho. Os dois fazem artes marciais e Barbarah é cantora e faz parte do grupo Antônia. Ela é muito sofrida e acaba passando dois anos na prisão. Em meio a tudo isso, rolam vários conflitos e verdades de mulheres que querem cantar e sofrem com seus cotidianos.

O projeto de Tata deu origem à série Brasilândia, que a Rede Globo estréia ainda este ano em sua programação. "Quando estávamos nas filmagens de Antônia, uma das coisas que mais dizíamos nos sets era que um dia isso tudo seria uma série, ou até mesmo renderia um Antônia 2. Dito e feito! Lá estamos nós novamente contando as histórias das cantoras de rap da periferia paulistana. A série, além de trazer à tona a realidade da periferia, também é muito autoral, pois os roteiristas e diretores deixaram a gente interferir e mudar as falas."

Qual foi sua emoção ao saber que Levanta a Mão ia fazer parte da trilha de Cobras & Lagartos?
Mais um sonho realizado... Algumas pessoas me disseram que era sorte. Eu não acredito! Não penso assim...Eu lutei para tudo que acontece em minha vida. Para quem veio de uma família humilde, não tinha dinheiro para fazer todos os gostos, roupas, brinquedos, nunca teve uma bicicleta rosa, que deixou de fazer coisas de criança para poder seguir um ideal... Bom... Eu acho que foi merecimento! Ter um trabalho seu em um lugar onde todos possam ouvir... É uma graça... Presente de Deus!

Sobre a concepção e produção do seu primeiro projeto pela gravadora Universal, Leilah diz: "Participei de todas as faixas, gosto de compor e acredito que por isso, o CD ficou bem autoral. VIP veio para que eu pudesse acreditar que era capaz de fazer meu serviço de casa direitinho. Fizemos as músicas em parceria, juntamos nosso time, entramos no estúdio e colocamos nossas idéias no papel." Entre "bombas para as pistas" e "temas para dançar coladinho", como ela mesma define, VIP garante diversão para quem está na balada. Se o seu negócio é dançar, ouça Leilah Moreno. Ela sabe exatamente como sacudir a sua noite!

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