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Saúde
  Acorde e veja como você dorme. Dormir bem é tão importante quanto uma boa alimentação

POR ROBERTA DE LUCCA

Em poucos meses começam os preparativos para o verão. Malhação daqui, dieta dali e logo o corpo perde os quilinhos extras ganhos durante o inverno e já está pronto para invadir as praias. Esse cuidado para brilhar na estação mais gostosa e descontraída do ano deveria se estender a muitos outros hábitos em benefício da saúde, entre eles o sono. Embora as pessoas se preocupem em ter uma vida com qualidade, por incrível que pareça a maioria acha que cair na cama e se enrolar nas cobertas é garantia de uma boa noite de descanso. Para muitos isso é até verdade, mas 30% da população brasileira tem algum tipo de distúrbio do sono. São 54 milhões de cidadãos que todos os dias acordam cansados devido a uma noite ruim e muitas vezes essas pessoas dormem mal por culpa delas próprias. "Maus hábitos no cotidiano interferem diretamente no sono, mas ninguém presta atenção a isso", afirma Rubens Reimão, professor do departamento de Neurologia do Grupo de Estudos de Pesquisas Avançadas em Medicina do Sono do Hospital das Clínicas, de São Paulo.

Evite dormir com a TV ligada. O som mantém o cérebro ativo e o organismo fica "meio dormindo, meio acordado", dificultando o relaxamento

O vilão que abala bastante a saúde do sono, segundo o médico, é o ritmo de vida contemporâneo. Exigência de uma postura pró-ativa no trabalho, tensão, congestionamentos, medo da violência e problemas de relacionamento, entre tantos outros, são fatores estressantes que acabam tendo desdobramentos quando algumas pessoas deitam na cama. Por conta dessas preocupações, muita gente custa a pegar no sono e acaba desenvolvendo algum tipo de insônia, que pode ser temporária ou tornar-se crônica. "Às vezes o indivíduo fica três ou quatro noites com dificuldade para dormir devido a um problema específico, como a perda de um ente querido, e isso é normal. Mas quando a falta de sono acontece por mais de um mês é sinal de insônia crônica", explica Rubens Reimão. Nesse caso, a saída não é tomar aquele remédio para dormir que o seu amigo de trabalho indicou, mas sim procurar um especialista do sono, que vai prescrever a medicação correta. "Há situações em que o paciente realmente necessita de medicamentos, mas é importante ter acompanhamento especializado porque o remédio pode viciar e aí cria-se mais um problema além da insônia", alerta Anna Karla Alves Smith, neurologista do Instituto do Sono, da Universidade Federal do Estado de São Paulo.

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A alimentação também afeta o sono. Além de elevar o colesterol, a pressão arterial e até causar diabetes, a obesidade desencadeia a apnéia, um distúrbio que atinge, em sua maioria, homens entre 30 e 50 anos de cerca de 4% da população mundial. A apnéia é a interrupção da respiração durante o sono num período de 10 a 20 segundos, que acontece entre 20 a 30 vezes por hora. Imagine o resultado desses microdespertares no dia seguinte. Enquanto dorme a pessoa nem percebe que acorda a todo momento, mas ao sair da cama a sensação é de cansaço, de ter tido uma noite péssima. E por que a apnéia acontece? Porque o cidadão come demais e a ingestão de gordura aumenta o tecido da faringe, estreitando- a. Então o ar passa por ela com dificuldade e causa as paradas respiratórias - sem falar no ronco, que atrapalha quem estiver dormindo ao lado. "A apnéia pode provocar danos cardiovasculares a longo prazo, por isso precisa ser tratada", afirma Anna Karla. A médica explica que em alguns casos a pessoa dorme com um aparelho semelhante a uma máscara de oxigênio (o CPAP), que impede o fechamento das vias respiratórias. Aqui vale lembrar que quem tem apnéia ronca, mas nem todo mundo que ronca desenvolve apnéia. O ronco é provocado pela vibração da parede da faringe e resulta naquele barulhão que incomoda muita gente e que também pode ser tratado

Não é bom dormir de barriga cheia porque durante o sono a digestão pára. No dia seguinte, a pessoa acorda com sensação de peso no estômago

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